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A escolha da taça pode mudar um vinho? PODE. Muitas vezes deixamos de valorizar um vinho por sua escolha inadequada, uma taça inapropriada dará mais relevo aos pontos negativos de um vinho, contrariando o objetivo dos estudos dos designers desta área, que é elevar as virtudes do vinho e amenizar seus defeitos. Muito se tem escrito sobre formas, tamanhos e matérias diferentes, aqui pontuaremos alguns aspectos. A forma da taça baseia-se nas variedades das uvas, pelas suas intensidades aromáticas, taninos, álcool, acidez… O diâmetro da borda decide a postura da cabeça, a postura na ingestão, e conseqüentemente as sensações, registro dos sabores, pelo contato com as partes da língua no seu primeiro contato, como amargo, doce, acido, etc…O tamanho influi na intensidade e qualidade dos aromas, o espaço para que o olfato encontre o prazer ao degustar um vinho. A espessura do cristal é o facilitador da visão, a cor, e a possibilidade de ter uma sensação tátil mais agradável. Alguns exemplos de taças para nossos vinhos: Cava. Taça ideal tipo tulipa, silhueta fina, pelo perfume delicado, coroa e “perlage”. Branco Reserva. O corpo, bojo, mais alto do que para os brancos leves, pela concentração maior do álcool, e para desfrutar melhor da complexidade dos seus aromas, que se harmonizam mais na superfície. Branco Joven. Para reduzir o impacto da acidez as bordas levemente curvadas para fora, com o bojo mais largo que permitirá ter o melhor do vinho, seu sabor mais frutado. Tinto Joven. Em taças parecidas com os do branco joven, porem ligeiramente mais pequenas, para concentrar o bouquet, sem o bojo ser demasiadamente alto, pois permite que quando servido mais fresco a temperatura se mantenha, tornando-o ainda melhor. Tintos Crianza e Reserva. A relação líquido/ ar é importante para seus aromas, o balão mais amplo dará espaço suficiente para o vinho evoluir, se tiver uma boca mais fechada ocorre mais concentração e dará mais potencia as características do fruto. Tintos Autor ou Garaje As mais indicadas para vinhos que tem mais tempo de guarda, e com mais tempo de crianza, deverá ter um tamanho maior e abertura mais pronunciada da boca, permitindo abrir mais sua complexidade, fazendo justiça a sua qualidade. Na prática “um tempranillo catado em uma taça bordeaux parecerá um tanto diluído, mais rústico e o álcool se fará mais presente no final” (Peñin pg.134). Para isso existe a taça Tempranilho, que é mais alta do que uma para reserva, e tem um bojo com maior diâmetro na parte inferior. “Com um verdejo, a taça pode determinar a passagem de um vinho agradavelmente frutado e com notas de ervas verdes, ou só oferecer seu traço mais vegetal e herbáceo, privando-o de qualquer indicio de elegância”. Outro exemplo “as uvas mediterrâneas do tipo syrah, garnacha, carineña ou monastrel necessitam de uma taça com certa altura, a taça tipo “ródano”, que é um centímetro mais alta que as de bordeaux, (bordelesas) pois dá um efeito chaminé, e permiti abrir suas características notas de especiarias” (Peñin pg.134) Afinal será que devemos ter tantas taças, principalmente para os amantes de diferentes vinhos? Hoje em dia são muito poucos os que se podem dar a este luxo, assim ter taças para Cava, Branco e a Tempranillho já permitirá degustar o melhor dos vinhos. Agora se você tem uma variedade de uva ou tipo de vinho que gosta mais, tenha algumas para elas. O importante é você sentir o prazer de degustar o melhor de um bom vinho. A su Salud! Fontes: Guía Peñin 2009, Ed.Peñin Ediciones e André Dominé – Vinhos – Ed. DINALIVRO, 2006. Foto: Bodegas de Los Rios Prieto. |
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