
Com 5 mil bodegas, a Espanha é o 3º maior produtor de vinhos do mundo. Mas ocupa apenas o 5º posto no ranking dos países exportadores, atrás de Itália, França, Austrália e Chile. Não é uma boa perspectiva diante da crise econômica que assusta a economia espanhola no momento e atinge todos os segmentos. Uma das saídas é vender mais. Quando o mercado interno apresenta restrições, a alternativa é voltar-se para o exterior. É o que o setor vinícola da Espanha está procurando fazer. No final de junho, por exemplo, o Governo do País Basco, Estado autônomo no Norte espanhol, e a Universidad del Pais Vasco (UPV) promoveram um curso de verão destinado a produtores, profissionais ligados ao negócio do vinho e a estudantes de marketing. O titulo não podia ser mais explícito: “A comercialização e o mercado de vinhos – desafios empresariais em tempos de crise”. O encontro foi realizado na bela cidade medieval de Laguardia, coração vinícola da Rioja Alavesa, e teve como palestrantes especialistas da própria Espanha e de outros lugares. Entre eles, um brasileiro, o jornalista José Maria Santana, da revista GOSTO, convidado para falar sobre a dinâmica do mercado de vinhos no Brasil. Nosso país e a China estão entre os que mais atraem a atenção das vinícolas espanholas atualmente.
Santana mostrou o grande potencial brasileiro e o crescente interesse do consumidor nacional pelo vinho. Ao mesmo tempo, alertou para o desafio imposto pela excessiva carga de impostos e pela burocracia que dificulta a vida dos importados. O jornalista mostrou também que há um verdadeiro paradoxo no Brasil. Há cerca de 30 mil vinhos diferentes em nosso mercado. Todos os dias chegam novos produtores de fora procurando importadores. O consumidor se perde frente a tanta oferta. Os brasileiros querem conhecer mais sobre a bebida, o número de cursos para iniciantes é cada vez maior, a imprensa dedica mais espaço aos vinhos, surgem em todo o país novas confrarias e grupos de degustação. Mas o consumo não aumenta: continuamos em 2 litros per capita. Ou seja, os produtores que chegam precisam saber que vão disputar espaço com quem já está aqui. O melhor para todos seria aumentar o consumo, o que depende de políticas governamentais mais favoráveis e também da união de esforços entre vinícolas brasileiras e importadores.
O curso foi organizado pela Itsasmendikoi, empresa pública ligada ao Departamento de Agricultura, Pesca e Alimentação do governo basco. A enóloga Miriam Elorza Múgica, diretora do evento, destacou que o objetivo foi analisar a realidade atual, as tendências do consumidor e como as vinícolas espanholas devem agir para vencer as dificuldades do momento. Ela assim resumiu o que todos pretendiam: “Precisamos ver a crise como um desafio. O importante é aprender a aproveitar as oportunidades que com ela podem aparecer”.
Por José Maria Santana
Fotos: Bodegas Ostatu

















